Não dormi aquela noite, mas não foi ansiedade, foi calor ¬¬ Assim, pulei da cama cedo, vesti peça amarela (
éééé) da virada de ano, camisa rosa e branca (
acho que a roupa mais vagamente ~feminina~ que tenho e posso usar em público), escondi minha Sailor Marte na bolsa (
mais uma coisa pra contar historinha que não contei ainda), fiz mapas e parti... meio que em cima da hora.
Mas consegui achar o lugar e chegar a tempo: era um prédio antigo perto do metrô Vila Mariana. Logo achei a entrada, peguei fila e fiz ficha. Haviam algumas pessoas aguardando (ninguém com caso semelhante ao meu, à primeira vista), inclusive mães com crianças.
Curioso que, para quem disse que esperava nada, não criava expectativas e tal, só isso já estava fora do que eu esperava subterraneamente. Inclusive pintou a paranóia se eu estava no lugar certo, podia ter dado alguma confusão de comunicação e eu estava lá, sentada perdendo horário...
Bom era besteira, claro. Logo ouvi conversarem com meu nome perto do balcão ("só Marcelo veio? E Xxxxx? Eram eles que tinham triagem marcada para hoje" "não, só Marcelo") e não demorou muito para chamarem.
Era uma doutora simpática (psiquiatra, não marquei o nome =_=), e enquanto andávamos pra sala dela, me perguntou por qual nome queria que me chamassem (sinceramente, indifere no momento), e porque não tinha colocado "Márcia" na ficha (bateu vergonha/insegurança). Ao contrário do saguão, que tinha uma atmosfera antiga e com um quê de burocracia, a parte de dentro em direção aos consultórios tinha verde, era mais arejada, leve.
Era mais o que eu esperava.

não, não tinha divã na sala
Logo ela estava fazendo perguntas de como me entendi com disforia, sobre família, trabalho, meu lado artístico (dei um zine da
Raquel pra ela), etc. Era um misto de conversa e entrevista, nem todas as respostas eu tinha, ainda falta um tanto de trilho pra esse trem. Em algum momento ela disse que nem todas as notícias eram boas, e no fim recebi ela: o governo do estado estava encerrando o convênio com a Santa Casa. O prédio iria ser entregue para a Unifesp, cujo foco seria mais pra psiquiatria. Eles souberam disso dia dez, algumas coisas estavam no ar, provavelmente o programa seria encerrado, inclusive para quem já estava com eles. Ao menos é o que entendi e me lembro de cabeça.
Eu só fui chamada porque tinha marcado com eles desde o ano passado e acharam bom dar uma satisfação. Ela ficou de por meu nome social na ficha que fiz lá e me mandar links de serviços da prefeitura por e-mail. Deixei meu cartão de visitas com a
arroba do twitter com cadeado e desse blog para ela escritos no verso. Nunca se sabe onde uma garrafa atirada ao mar pode chegar :p Agradeci, me despedi e fui embora..
Meio que perdi o dia de serviço pra isso. Não fiquei de mal-humor/deprê, mas o dia ficaria melhor se eu tivesse fazendo outra coisa em vez de andar sozinha comigo mesma pela cidade =p Sorte que, repito, não alimentei expectativas, mas quando a "menina" aparecer, acho que ela vai bater :p
Outra sorte, gigante!, são namorada e amigas pelo telegram e twitter me dando opiniões, dicas e apoio, me fazendo pensar e me apontando possibilidades interessantes e partes esquisitas nessa história toda :P
Enfim, acho que essa trilha se fechou, só quero esperar algumas respostas antes de procurar outra direção a seguir. Mas sem esperar demais, ficar se iludindo "
agora a coisa legal vem, o jogo vai virar, vejo sinais!" só deixa a gente doente.
Já tomei desse veneno antes, e dele me mantenho longe desde então.
De qualquer forma, o dia terminou comigo e namorada no Ibira, não tem como ser ruim um dia assim :P
Quanto aos links de serviços da prefeitura, são esses aqui:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/direitos_humanos/lgbt/cch/index.htm?p=150960&. Sinceramente, achei um grande sei lá. Vou procurar referências, mas desconfio que não me animarei :|
nota: de noite, espero, tem mais um texto =p