Bebelos coloridos
("pressa em escrever logo vs sensação de que a pressa vai estragar o texto vs sabe que se demorar demais o texto sai nunca")

Estava planejando isso desde antes da pandemia: pintar uma mecha de azul, uma das minhas melhores amigas seria a cumplice e nisso também posso contar com ela <3
Por que? Porque não?
Aí veio covid, vieram desencontros de agendas, mas um dia veio a vontade de novo e em fins de setembro consegui cometer isso:



Fiquei toda boba-feliz (™ eu mesma), aguardei reações da família (mãe estranhou, mãe não percebeu tão cedo e ok quando o fizeram notar), do emprego (acharam ok, os que perceberam: as mechas são discretas e facilmente somem).

Aí comecei a andar na rua e notar outra coisa: muita gente pintou aqui e ali de azul, eu tava "transgredindo" (oi?) nada, já era socialmente aceitável faz um tempo :P Até um primo meu pintou TODO o cabelo dele de azul começo do ano.
Assim: pintei o cabelo por vontade própria, não pra provar nada pra ninguém... mas ganhei motivação pra por mais cores. Assim, em novembro, amiga e eu fomos comprar mais tinta e:


"amo másaras, odeio meus ombros"


Cara, eu quero meu cabelo assim pra sempre (*˘︶˘*).。*♡


Meus pais, mãe aceitou de boa (demonstra mais preocupação com a qualidade do meu cabelo depois de descolorização + tinta), mas pai soltou um comentário pra ex-cunhada que talvez reflita o pensamento dos dois "nessa idade, pintou o cabelo". O tom não foi de desdém, mas aquele espanto que as pequenas quebras na ordem normal das coisas causam nas pessoas :P


Um fato é que meu cabelo tá bem ruinzão a partir de certa altura: nós, pontas duplas, aquela aparência toda tremida onde devia ter fios lisos. Foi aí que pus cor sem medo, meu cabelo comrpido foi a minha primeira atitude em "sair do masculino", e não faria nada que arriscasse a perda deste status.

Acho que já contei aqui como deixei crescer: meu irmão teve a fase "headbanger" dele e ficou com cabelo grande por causa do rock. Aproveitei a porteira aberta e fiquei, até achava curiosa possibilidade, quando ainda estava na altura do pescoço, de alguém me confundir com menina de costas <3 (isso lá pelo fim dos anos 90). Quando entrei num banco pra trabalhar, um gerente me soltou uma indireta que o cabelo poderia atrapalhar minha ascensão lá dentro. Dei de ombros.
Meu irmão cortou o dele rapidinho.
Pena que a ciência de que sou menina não foi tão rapidinha... :P

Mas não vou ficar lamentando isso, cada ficha tem sua velocidade certa pra cair. Mas lamento não ter aprendido até hoje a cuidar do cabelo, de pele, etc porque preconceitos e neuras minhas, e porque não é o tipo de conhecimento que passam pra quem "nasceu menino".
Mas desde a tinta azul estou cuidando deles um pouco melhor (na linha: seguindo radicalmente ao pé da letra o que me ensinaram), mas queria muito que meus autocuidados não se quebrassem tanto.
28/12/2021 22:30
v2v