[miado invisível] tira 172! Ducentésima + 1!!


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...que fica entre duas cenas da tira "200".
Na próxima newsletter, voltamos à programação normal \o/

* Ela ficou grande, mas foi entregue de coração e sei que quase ninguém aqui clicou para ler. Magoei ='(

Pra quem chegou agora: 
"mushiíces" é uma série de tirinhas que acontece no mesmo cenário que um livro que estou escrevendo há anos (e termino nunca). Para quem quiser ler todas as tiras desde o começo, clique aqui :)
A importância da leitura sensível ou “O que o Emilia Pérez nos ensinou?”

Quando se escreve um texto, queremos que as pessoas o leiam. Queremos que as pessoas gostem dele. Queremos virar best-seller, dar autógrafos na rua, virar capa de revistas, filmes no cinema, ganhar nosso primeiro milhão só com a tiragem dele e....

Tá, é Brasil, aqui só de ter ele publicado sem a gente ter que pagar por ele já deixou muita gente feliz pra caramba. Mas isso também implica que a gente quer que alguém leia ele e goste dele, afinal nenhuma editora vai publicar um texto que potencialmente ninguém vai gostar, isso você há de concordar comigo.

E para que um texto seja bem aceito pelo público, seria interessante ele ser bem preparado antes de chegar nesse público por pessoas que são especialistas nisso. Uma dessas figuras é a do leitor sensível, que muito escritor adoooooooooooooooooora ignorar porque acha que “basta pesquisar para saber como é”.

O leitor sensível é alguém que vai olhar sua obra atrás de elementos que podem ser um problema frente ao público que está sendo abordado. Por exemplo, você tem um personagem gay na sua história? O leitor sensível poderá dizer se esse personagem gay está sendo bem representado, se não está sendo apresentado como estereotipias ou marcas de preconceitos comuns, etc. “Mas embora eu seja hétero, eu fiz uma pesquisa boa sobre os gays e sei que meu personagem foi bem construído”. Ótimo, mas se está tão bem construído porque não passar pelo crivo de um leitor sensível? Porque não paga alguém que é especialista para ter certeza? Não dói, não arranca pedaço e pode te poupar de passar vergonhas pontuais (no melhor dos mundos) ou ser canelado por um país inteiro (se você realmente foi um tosco que mereceu).

E é aí que nós chegamos no último grande fracasso de leitura sensível. Por total FALTA dela. Emilia Pérez foi uma super produção europeia que fala dos cartéis – rufem os tambores – MEXICANOS. Isso não seria um problema, veja bem, se existissem mexicanos colaborando com a produção. Mas eles quase não existiram. O produtor chegou a dizer sutilmente que não pesquisou sobre o contexto mexicano. Moral da história: a recepção do filme foi péssima por lá. E quem culparia os mexicanos: era um filme sobre eles, mas que não pediu a opinião deles!

Ainda houve entidades de defesa dos direitos LGBTQIA+ que também criticaram a forma como as pessoas trans foram apresentadas no filme! Vocês podem defender “Mas a atriz que representou a Emilia Pérez era trans!” Bom, isso foi uma vitória, COM CERTEZA (em que boa parte dos filmes ainda pecam, pegando atores CIS para atuar ¬¬). O que não faz com que o roteiro inteiro fosse aprovado pela comunidade. Mais um momento em que, talvez – só talvez – uma leitura sensível talvez tivesse ajudado a fazer o filme a ser algo realmente melhor.

(não vou entrar no mérito das reações da Karla Gascón ao filme.....)

(também não tô reclamando da recepção negativa do filme.... honestamente tenho medo que se ele tivesse feito a lição de casa, ele fosse super bem aceito pelo mundo e o Brasil perdesse o Óscar merecido pois, bem, né? Vocês sabem, aquela galera ia amar babar ovo pra esse tipo de história.....)

Mas entenderam onde eu quero chegar??? Cidadão achou que sabia só porque ele fez pesquisa. Acho que colocar umas atrizes phoddas lá e umas músicas bonitinhas ia dar conta. E deixou uma galera p. da vida. Eu não quero isso pro seu texto. E você também não, né? S2
Muito tempo atrás, numa mudança de sede de uma agremiação, meu pai ficou com um mapa daquele país com 50 estados, fora um monte de coisinhas aleatórias.
(Nunca pisei lá e, pelas notícias atuais, acho que não piso tão cedo naquela terra)
Peguei ele para mim, sem saber o que fazer com ele: era bonito, feito em papel bom, mas não tinha parede onde por, nem um porquê para isso.
Mas tive dó de jogar fora. Um dilema.

As décadas passaram, me mudei de casa e estes dias, num desses meus surtos de "abrir caixas antigas com objetos mais antigos ainda dentro", reencontrei o pedaço de papel bem impresso. Suas cores e seu dilema estavam intactos.

Então, aconteceu de uma partícula de idéia cruzando o universo acertar meu cérebro e !ping!, tive uma idéia: ele foi para a parede do quarto dos chinchilas, de ponta cabeça.
Lá tem várias paredes vazias e... é o lugar mais insalubre para papéis da casa :P

Mas sabem como são as partículas de idéias, né? Elas acontecem sempre e desta vez uma delas acertou dona namorada, que se sentia incomodada nauqele quarto, sendo observada por um bicho que estava no lugar daquele mapa e, com canetão preto, o materializou:


Um tatu.

Ou um tatucórnio, por causa do chifre lá =p (achava que o mapa fosse dos anos 90, quando o consegui. Mas a RCA Communications foi vendida em 1987...)

E os recados finais: para os usuários do Telegram, que gostam de ler e comentar suas leituras, temos um grupo bastante informal lá: a Biblioteca da Ursal =)

Também criei um financiamento coletivo para minhas histórias e tiras. As pessoas me pagam um valor mensal, cinco reais por mês ou mais, e recebe de mim (quase que) quinzenalmente tiras, textos, desenhos e que me der na telha, além do meu agradecimento eterno: eu dou valor a cada centavo recebido e tento dar o melhor de mim no meu compromisso^^ Dinheiro é caro e não quero desperdiçar o dos outros.
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por mushi-san e a_believe em 14/04/2025 00:17
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