Mangaká da Favela #1

(
de Sohachi Hajimoto e Minoru Taruro)
Na página 40 desse mangá,
João, um menino brasileiro, fala algo sobre a história que ele mesmo criou, passada no Japão. E
Hiroto Takei, o protagonista japonês, pensa "
é justamente por ele não conhecer o Japão que surgem as idéias mais incríveis".
Aviso: essa resenha
tem spoilers.
Então, vamos do começo: Hiroto é um mangaká - artista de mangás - fracassado. Decide vir ao lugar mais longe possível de seu país para abandonar o sonho de fazer quadrinhos e dar um novo início da sua vida. Chegando em São Paulo, as coisas são bem de turistas, tem cenas factíveis, com errinhos pontuais, até nosso protagonista virar uma esquina errada, parar onde não deve e... bom, em poucas páginas assiste uma execução em uma favela, é roubado por dois numa moto e a polícia pede propina.
(
Lembre-se: estamos lendo um mangá, com seus métodos e estruturas bem estabelecidos, feitos por alguém que não veio aqui, ao que eu saiba. Tipo na cena da execução: ela é mais "
mangá!", uma cena chocante para pegar o leitor de surpresa, que uma reprodução do
modus operandi da nossa criminalidade.
Na vida real é bem provável o povo fingir que nada acontece. Mas tem a mesma proporção de chances de curiosos de dez quarteirões de distância irem ver o cadáver)
(Dependendo, até pipoqueiro aparece).
Ainda nessa sequência de fatos, Hiroto é ajudado por João, um menino da comunidade, que no decorrer dos fatos descobrimos que: não tem pai, tem irmãs (uma delas PcD, porquê o drama do mangá japonês faz fronteira com o drama das novelas do México) e um irmão (envolvido com uma gangue) e tem talento para fazer mangás. Rapidamente forma-se amizade entre os dois e um vínculo quase mestre-pupilo, o que parece ser uma das molas mestra da trama, já que o mangaká se esforçar em ajudar João, para que ele faça um mangá one-shot para um concurso que ocorrerá no Japão nos próximos meses...
...para livrar João de entrar para o crime: ele tem 15 anos (
mas me aparenta ser tão mais novo, tanto de rosto quanto de comportamento) e seu irmão está sendo pressionado para coloca-lo na gangue, já que tem idade para ser membro. Esse conflito é o outro elemento que parece que vai mover a história nos próximos volumes.
(e tem gente com poder querendo fazer a caveira de nosso mangaká lá em sua terra natal)
Enfim,
Mangaká da Favela é um mangá bem formulaico que ainda está se organizando, mas que nos pega por dar a visão de fora sobre nosso país. E assim como João, que cria coisas incríveis/absurdas sobre o Japão por não conhecer aquele país, o mesmo se pode dizer dos autores, que não conhecem o Brasil como nós =)
# Veredicto: dá vontade de falar de cada representação de algo brasileiro no gibizinho. Vou continuar lendo!
# Bom: é um mangá simpático e fisicamente está bem acabado, tem até uma pagina colorida. Outro ponto positivo é que o roteirista é relativamente bem acessível nas redes sociais e faz perguntas sobre o Brasil - usando tradutor para o português. Acho isso muito legal =)
Inclusive, o interesse dos brasileiros por essa obra fez o milagre dela ter lançamento simultâneo no Brasil e no Japão!
# Mau: a história não tem muito de novo além de retratar aqui, isso e a periodicidade looonga talvez afaste leitores. Outra esquisitice foi a guerra de gangues ter sido simplificada à "mega-gangue fictícia que domina São Paulo versus a mega-gangue que domina o Rio de Janeiro". Até entendo os motivos dessa estilização, mas torci o nariz aqui.
210 páginas • R$ 49,90 • 2025 •
no site da editora
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por mushi-san em 20/08/2025 19:47
resenha