Querido diário: sobre comidas gostosas e tranqueiras do passado

2024, começo de fevereiro. Dia 5 para ser mais exato:
Voltando do serviço, antes de chegar em casa passei na padaria da esquina para comprar os quatro pãezinhos e os duzentos gramas de queijo tradicionais, senti um cheirinho no ar e peguei uma porção de pãezinhos de queijo ainda quentinhos para comer com namorada assim que chegasse :9

O MINISTÉRIO DA DIETA ADVERTE: cada pão de queijo te engorda um quilo.

No dia seguinte, durante nossa caminhada, para perder o peso dos pãezinhos de queijo:
Ela: temos de comprar coca-cola
(são 5 garrafas retornáveis em casa, tem uma adega perto da padaria que vende)
Eu: e depois, quer jantar na padaria... não, melhor não.
Ela: por quê?
Eu: o arroz vai estragar.
Ela: é verdade...
Andamos um tanto..
Eu: a gente tá numa fase bem adulta, né? Escolhendo terminar a comida na geladeira em vez de comer besteira.
Ela: Né? Amanhã então a gente janta pastel.
Eu: Feito!!


Nada como a vida adulta :P
O texto acima já foi publicado uns anos atrás, no "blog velho", mas tinha esquecido de por a foto, que acho que é essencial para dar mais sabor ao texto :P
E não ia só remendar texto velho numa postagem antiga para ninguém ver a foto, né? ;)

E assim, volto a fazer essa seção de coisas do dia a dia, espero que forma mais frequente. Ultimamente me sinto um fracasso em várias coisinhas, mas sei que a culpa não é só minha, então vou fazer a minha parte pra mudar isso.
Mantendo a tradição destes posts, postando um caderninho ali do lado: esse é meu sexto diário, outro caderno brochura, que durou entre 04/10 a 01/11/1989. Meus diários duravam bem pouco na época :P

Mas esse tem algo diferente, deixa eu transcrever o que está escrito na primeira página:
"dia 29 fui a biblioteca e tirei algumas xerox:"
"foram 16 páginas que me custaram Cz$ 3,20 apenas" (segundo a calculadora do Banco Central, R$12,72. Segundo a mesma calculadora, o símbolo da moeda era NCz$....)

Na época costumava ir à Biblioteca Mário de Andrade e fuçar os livros. Um dos meus preferidos era a Enciclopédia Mirador (colorida, textos grandes, abrangente, mil vezes melhor que a Barsa) e na ocasião tinha descoberto trocentas tabelas com alfabetos do mundo todo através da história.
Fiz questão de xerocar cada página, era material para as futuras mudança do código ;) Depois recortei e colei estas tabelas na forma do "livrinho" encartado na abertura do diário.
Uns tempos atrás no bluesky, perguntaram "Quando ganharmos na mega-sena da virada, qual a primeira coisa fútil, inútil, desnecessária que você vai comprar?
To falando de bobagem mesmo, não pagar dívida, ajudar família, criar coisas, projetos"

Postei de cara que seria um fliperama, daqueles de bolinha de metal e com mais de um andar para ela passear, disparar luzes, rebater e fazer barulhos nostálgicos. Inclusive é projeto nosso, mas daqueles de muito loooooooongo prazo.

Meses depois completei que também teria uma enciclopédia Mirador, a ultima edição que publicaram.
Seria um monumento na minha estante: lindo, com significado poderoso, sem utilidade prática"

Usei uma definição parecida quando consegui um Houaiss^^ e confesso que às vezes olho para as pilhas de livros nos sebos, pena que não tenha mesmo onde colocar.


(foto pega daqui)

...Ainda.
Tenho alguns objetos "antigos". Alguns adquiri por gosto, outros não eram antigos quando os comprei :P

Poderiam ser mais uma série de textos pro blog, vamos ver como o mundo anda. Mas hoje trombei com um vídeo em que um gringo adquiriu uma televisão de tubo gigante, 43 polegadas, talvez a maior no formato. Estou assistindo aos poucos, uma parte por intolerância à vídeos longos, outra para apreciar devagar a aventura.

Para encerrar esse post, meses depois do pastel - 23/04 - aconteceu de namorada ir em reunião presencial, uma das raras pós-pandemia.
Desacostumada, voltou de metrô cheio da hora do rush, o que deu certeza mais uma vez a ela que home-office é vida - imagina o choque (e a raiva) para quem não estava mais acostumada com os horrores do transporte público.

(só esse ano agora que ela descobriu que é autista, o que amplifica o sofrimento, mas isso é outra história)

Percebendo a situação que ela ia enfrentar, comprei pão de queijo na lojinha da estação enquanto a esperava. Nas mensagens que ela me mandava pelo telegram, vi que pão de queijo não seria o suficiente e que seria necessário uma coquinha a mais e fui providenciar uma.
Missão cumprida, voltamos juntas para casa andando, comendo, rachando o refri e saudavelmente falando mal dos respectivos trabalhos =)
(infelizmente nossa pastelaria preferida fechou sem aviso ano passado, achamos que por briga entre o dono do lugar e os chefinhos da franquia, que queriam controlar e padronizar demais) (sentimos saudades) por mushi-san em 10/05/2026 22:11
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