Uns sábados atrás fui com dona namorada, cunhada e uma amiga ver um jogo de futebol:
Brasil x EUA, amistoso de futebol feminino.
(
foi o terceiro jogo da minha vida, meu pai (
palmeirense)
me levou para uma partida do time dele contra o Juventus,
acontecida em algum ponto do começo dos anos 80. Em 2013 ele me levou com minha mãe ver um amistoso do
Brasil com a Inglaterra,
num Maracanã recém renovado)
Mas, por que fomos ver este jogo?
Porque sim :PE para prestigiar as meninas, que andam jogando mais futebol que o bando de nutella que está na copa. Aproveitei para conhecer o
Itaquerão, turistar na própria cidade, estas coisas.

Mas o motivo dessa postagem estar
neste blog e não no
aberto é uma coisa que aconteceu antes de entrarmos no estádio: apareceu um funcionário orientando para dividir a fila única em duas, a dos
homens e a das
mulheres (
muito maior, inclusive. E muitas levaram as filhas!).
Ok, legal, faz sentido e... eu? Vou pra onde?
Estou
devendo escrever sobre aqui, mas estou muito masculina ainda (para ser mais exata,
in closet, num monte de ambientes em que circulo), e tenho mil questões para resolver. Seria legal se ainda estivesse indo para um psicólogo ou algo similar, mas até isso é questão para se resolver =_='
Sem ter certeza para onde iria, deixei as três e fui pra outra fila.
Contrariada.
Então, fui acertada por uma
partícula de inspiração.
E voltei.
- Se separaram as filas, é para revista. E como tenho peitos (
não são grandes coisas, mas eles eczistem :P), então
não posso ir na revista masculina, né? Fico aqui e lá na frente vejo o que faço.
Apesar de ser uma decisão razoável, corria o risco de dar problemas: eu, toda menino, poderia ser abordada por um funcionário mais chato e sabe-se lá como a história se desenvolveria.
Então, foi a vez de
namorada ser acertada por outra partícula de inspiração: havia um carinha meio abandonado carregando uma plaquinha escrita "
PcD" entre as filas. Como ela é autista, com carteirinha e tudo, portanto ela era Pc
D, portanto ela podia entrar na frente com acompanhante, portanto essa acompanhante era eu :P
Chegamos, namorada se apresentou e o cara se prontificou a nos levar até o começo da fila. Nesse momento,
mais gente viu que o carinha até então sozinho existia e vieram fazer perguntas e pedir ajuda ¬¬'
Desbaratado isso, ele finalmente conseguiu nos levar até onde íamos e, antes de ser revistada, contei minha situação para uma funcionária que fazia as revistas: não tenho tanta cara, mas sou mulher trans e talz.
Ela entendeu, fez o trabalho dela, saí com cara de vitoriosa ^^v, dei alguns passos e um funcionário deve ter achado que ela errou algo e me revistou #
facepalm
Ok, sobrevivi, estávamos lá dentro sem muito drama e demoramos tanto com o repentino interesse alheio ao cara da plaquinha que logo fomos alcançadas pelo resto do grupo.
O resto, foi jogo =)

E era isso que queria contar, mas vou por três adendos aqui:
• a
saída foi apertada, até praticamente chegarmos ao metrô. E eu preocupada com uma autista que tem questões com excesso de pessoas em torno =/
• tirei algumas fotos do jogo com o celular, e senti falta demais de uma
câmera digital de verdade. Que curva ruim na história da tecnologia que pegamos, viu?
• começo do ano fui para
Brasília e no raio-x do aeroporto falei para o funcionário que me revistaria: "
só aviso que estou em transição e..." Na hora ele perguntou se queria que chamasse uma funcionária feminina, dispensei, só falei para tomar cuidado. E foi isso.