Querido diário: um resgate, PhD e o relógio de atraso
Namorada, em dias que não está de bom humor por causa da vida, se diz chata, ou pede desculpas "por estar chata".
Besteira dela, claro.
Aí, uma vez dessas, lembrei da história de uma ex minha, em que esta se relacionou com alguém depois de mim e essa pessoa, num momento de crise de relacionamento, disse que para alguém aguentar ela, "tinha de fazer PhD".
Dito, isso, completei falando pra namorada: "por isso você não é chata, já fiz PhD para aguentar a ex e você é de boas".
E ela me aguenta porque realmente fez PhD, com formigas, que são artrópodes, que nem joaninhas!!
No mês passado do ano passado, 11/06, indo para o trabalho, descobri que eu era o "
relógio de atraso" de alguém: uma senhorinha que andava no sentido contrário da rua me parou para dizer isso e que, quando ela me vê no fim do trajeto dela, sabe que está no horário. Quando me encontra no começo, é porque tá atrasada.
Não soube o que achar disso, além de rir :P

(Mantendo a tradição destes posts, o caderninho ao lado é meu
sétimo diário. Como a capa dele era idêntica ao segundo, não tive dúvidas: peguei figurinhas, fotos coloridas de jornal e fiz essa montagem. Esse durou de 06/11/1989 à 02/01/1990 e no alto está escrito "
Diário" :P)

Ainda quero fazer postagens sobre alguns gadgets e objetos que guardo com carinho em casa, então não vou me estender aqui: nos primórdios do blog comprei meu segundo
palm, um
m130, que foi meu companheiro de aventuras por quase três anos. Uma eternidade, comparando com o tempo de vida dos celulares atuais.
E ele foi um gadget muito mimado por mim: além da
capinha protetora, herdado do palm anterior - o
m100 -, comprei para ele uma
câmera e um
teclado dobrável ♥

Quando chegou a hora de passar o bastão para o próximo palm (
treo 600,
não fui tão feliz com ele), todos esses acessórios foram aposentados: a capinha não cabia no aparelho novo, a câmera era redundante e o teclado tinha um encaixe diferente.
Na época, padrões de conectividade como USB ou bluetooth não eram muito difundidos, ou eram simplesmente ignorados, e cada família de aparelhos tinha seus próprios conectores proprietários, obrigando os donos a fazer mais compras..
o teclado do treo
em cima, o do m130
embaixoSem alternativas, tive de comprar um teclado novo pro aparelho novo e fui obrigada a
aposentar o antigo, que era bem
superior: mesmo sendo maior, ocupava menos espaço porque se dobrava em quatro partes e não precisava de pilhas para funcionar, que era o caso do treo. E, pior, ele estava sendo encostado
praticamente novo ='(

Eu gosto de criar, de escrever.
Alguns períodos mais que outros.
Na época do palm e seu teclado, usava o tempo que sobrava do almoço para isso. Quando pegava metrô, manuscrevia muito em
cadernos. Recentemente comecei a usar o
monotrilho para ir ao trabalho e descobri que era impossível escrever a mão sem me machucar: o trem chacoalha demais >_<~*
A primeira solução foi comprar um velho
Neo2:
Amo esse tecladão de paixão, mas nem sempre estou em
fluxo de escrita, daí ele se torna quase um quilo a mais na bolsa que fica longos períodos sem sair dela.
Procurei uma alternativa e o tecladinho dobrável do m130 sempre esteve ali, no cantinho do olho. Não queria retirar o m130 do descanso porque ele apresentava sinais de velhice desde 2005: você clicava num canto da tela, ele entendia que era o outro, a chamada
MDS (
mad digitizer syndrome).
Além disso, sua bateria era interna, quando ela desse problemas, o aparelho se perderia para sempre. Existia outro modelo da mesma família, o
m125, que aceitava o mesmo encaixe do meu teclado, que também tinha entrada pra cartão SD e que usava pilhas comuns. Mas você não vai numa loja e compra um eletrônico de
vinte anos atrás, e o garimpo nos sites de usados não estava dando resultados.
....=/

Há algum tempo sabia que tinha um doido que tinha criado um
adaptador para o teclado, transformando ele em bluetooth. Tinha até um
código fonte e tutorial de como fazer online.
Mas a parte técnica de como fazer vai
muito além do que entendo (
bem pouco, por sinal) e o tal tijolinho plástico miraculoso era meio carinho e tem a parte do imposto de importação...
mas...
...talvez fosse pagável, né? e, bom, antes que mudasse de idéia, paguei o criador e
comprei um :P Algumas semanas depois, paguei outro tanto para a
Receita Federal.
Danem-se os gastos,
pensem numa joaninha feliz quando chegou a caixinha:

...porquê o
tecladinho mais legal do mundo, que estava perdido,
voltou!!
Tivemos alguns problemas para encaixar o adaptador no teclado (
nas tentativas, quebramos o suporte para o palm nele, mas tudo bem, não é necessário :P), mas pegando as manhas, e no fim tudo funciona perfeitamente e o tecladinho está de volta à minha mochila, pronto para novas aventuras!

P.S.: Dias depois achei um idêntico à venda, baratinho. Agora tenho um segundo teclado de estepe do primeiro...
P.S.2: ...que tomou um banho de suco de laranja no dia que eu estava zureta de passar a
madrugada no hospital =_='
P.S.3: Ia falar de outros reencontros, mas ao contrário do que disse lá em cima, me estendi demais nesse post e melhor deixar pro próximo ^^"
O teclado "estepe", aberto, e abaixo, o oficial, dobrado, com o adaptador em cima dele. No alto, a capinha original do meu teclado, em baixo à direita, uma capinha de pano que minha mãe fez, assim como a toalhinha xadrez :P
Na semana seguinte à que descobri que era o relógio de atraso de alguém, também na ida pro serviço:
- Hoje eu tô adiantada - diz a mesma mulher na rua, passando por mim...
Respondo em voz alta:
- Sou eu que estou me atrasando!! - Dou uns passos e aumento o tom - e bom dia!!
- Bom dia! - mas quem responde é o guarda da escolinha do outro lado da rua, que tinha nada a ver com a história =p
por mushi-san em 18/07/2026 23:42
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