Ontem o dia estava normal....
Você me acordou dormindo de conchinha comigo, enquanto a
Leona estava aconchegada nas minhas pernas. Não era seu costume, entrar debaixo da coberta e ficar perto de mim. Mas eu gostei. Não queria sair dessa posição YinYang com minhas gatinhas nunca.

Durante o dia, você me seguiu, como sempre. Pediu para abrir janela. Pediu carinho. Colo. Quando levantei para sair do computador, não queria sair de mim. Se eu soubesse que seria nosso último colo, eu não teria saído de lá nunca....

Você gostava de ver TV. Acho que nunca tive um gato que gostasse de ver TV. Ok, não tive tantos gatos assim. Mas você via tanta TV que dava gosto. E via mesmo, ficava olhando pra tela interessada. Era seu jeitinho sexy.

Lembra quando você chegou? Era uma bolinha assustada de pelo que resolveu que não queria vir pra cá, se escondendo no mato e dando susto em todo mundo. Apareceu quando eu achei que você não vinha mais. E daí você veio. E se escondia em cantos que eu nem sabia que existiam na casa. Me evitava e eu coração doía, achando que eu não ia ganhar sem coração. Até que o frio chegou e eu impus a você dormir comigo. E você aceitou. E viu que era bom. Naquele dia, a gente não se separou mais, salvo quando era preciso. Ou quando você quisesse. Porque você era criança. Às vezes, você queria.

A gente passou um ano incrível junto, minha
Petit gato. Eu não achava que estava preparada para outro gato, que ainda era cedo para substituir o
Raji, mas você não veio pra tomar o lugar dele, você veio para ser além dele. E isso foi bom. Você me amou mais do que eu mereci, e eu não te amei tanto quanto você mereceu pois você foi embora antes de eu te amar tanto quanto eu queria. Sempre achei que faltou carinho. Sempre achei que faltou beijo. Sempre achei que faltou amassos. Você estava treinando amassar pãozinhos na terça, né? Quem sabe chega lá....

Mushi disse que você comeu todos os sabores de churu, mas eu queria ter te dado um último, para você lembrar com prazer de como empreender foi bom aqui. Do mato para uma vida de churu e regalias. Miando (
do seu jeito) para pedir as coisas. Enfiando a unha que a gente prometeu, mas não cortou, para conseguir o que quer. Pedindo colo e se ajeitando nos horários que achava conveniente. E sempre era conveniente, nunca era errado. E pedindo pra abrir janela e sumindo segundos depois.

Você me amou incondicionalmente. Não existe isso de mãe de pet, de acordo com uns. E não existe mãe de pet mesmo, pois a gente não merece essa designação para o amor que vocês nos dão. Vocês nos guardam e a gente nem merece. Vocês nos cuidam mesmo quando a gente grita e faz mal a vocês. Acho que vocês são nossos pais e mães. A gente é só filho mimado que paga conta.
Vai com os anjos. Vai em paz.
por aliene believe em 27/08/2026 18:23
bichos