Petit Gateau Flora21?/09?/2024 - 27/08/2026
Como todas as noites, deitamos e ficamos de papo ateh o sono chegar. Eu já estava começando a embalar quando ouvi Lia chamar "
Petit. Petit?"
Tinha tido um barulhinho antes, mas era comum as gatas fazerem isso, ou estavam "
bringando", ou
Petit estava se aventurando em algum canto. Ao contrario de
Leona, que logo deitava com a gente, Petisco gostava de se aventurar de noite ate se cansar e ficar no pé do meu lado da cama.
Mas, agora tinha acontecido algo diferente, Petit tinha caído e não respondia. de imediato, me levantei e a encontrei no chão, linguinha um pouquinho para fora. Assustei, não sabia o que fazer. Tentei ver se ela tinha pulsação e acreditava que sim, até Lia me avisar que era a minha que que estava forte, não havia nenhuma. Nem respiração. Nessas horas eu me embanano e fico sem reação, namorada - mesmo muito assustada, muito preocupada, muito tudo - que teve presença de espírito de chamar o uber para irmos pro veterinário..
Com carinho, peguei a gatinha no colo, saímos e ouvimos Léo miar triste atrás da porta, ela não gosta de ficar sozinha em casa.

Eram duas da manha, chegamos na mesma clinica que cuidou de Raji com camiseta do avesso, tênis e calça de moletom furadas, crocs e um tesouro ainda quentinha no meu colo.
Rápido chegou medica e a levou pra cima, ficamos esperando, com um fiapo de esperança amarrado a uma pedra enorme de realidade. A espera causa esperanças, a idade nos deixa meio surdas a elas.
Melhor assim: logo a medica nos chamou para uma salinha. Petit chegou sem pulso ou respiração, entubaram, deram injeção de adrenalina - aqui me permiti acreditar, mas pensei em *como* ela sairia dali depois, esse tipo de privação gera sequelas - mas, no fim, ela já tinha partido mesmo.
.....
A pedido nosso, recolheram duas impressões da patinha dela (escreveram
Petti =p) e um tufo de seu pelo. Fui me despedir do corpinho que antes carreguei com (a contragosto dela) e agora sem (a contragosto nosso) sem vida. Fiz um longo cafuné atrás da orelha, ela amava isso!, e conversei a falta que já tava fazendo, pedidos e recados para os outros bichos lá em cima [
todos vão pro céu, se não forem, a gente não tem chance alguma], pedidos para cuidar de nós (afinal, anjinho). Foi um tempo.
No fim, fiz duas coisas que ela odiava, mas fazia questão sempre: limpei as remelas dela e toquei meu nariz no seu. Dei tchau para a figurinha que estava esticada e cobertinha numa maca.
Naquela madrugada a Petit virou estrelinha. Sem aviso, de surpresa, fazendo bagunça como ela gosta de fazer.
E chovia, dentro e fora da gente, quando saímos do veterinário sem o corpinho que carregávamos na entrada.

Às vezes acho que fazemos lar temporário pro céu, só não avisaram a gente =(
Todos estes anos de relacionamento, por diversas vezes Lia falava que queria um gato preto para chamar de "
Petit Gato", ou algo assim. Ela não teve antes porque morava em kitnetes bem apertadas e qdo mudou pro
QGG ("
Quartel General do Gato", nosso apartamento), trouxe a Léo, a sialata, para ele, alguns anos depois, veio o laranja azedo,
Raji.
Poucos anos depois, sempre é pouco, Raji virou estrelinha aos 16 anos (
estou devendo contar dele aqui, eu sei).
Na janta, Raji sempre roubava a comida de Léo quando esta parava de comer, depois voltava para terminar a dele. Era engraçado.
Com Leona sozinha, sobrava. E sempre falávamos para ela, imitando as mães dos anos 80 "
come tudo, porque as gatinhas da Etiópia estão sem janta esta noite e você está aí, desperdiçando"

Aí percebemos que era a hora de trazer "Petit Gato" do mundo das ideias, até porque Léo se sentia sozinha, e era pior quando ficávamos mais de um dia fora de casa e gata lá, sem ninguém.
procuramos doações nas redes sociais, apareceu uma candigata peludinha linda, mas a responsavvel resoleu deixar a gente pra lá.

Aí apareceu "
Flora", com foto com florzinha (digital) na cabeça, que por coincidencia era da cidade dos pais de Lia, que por outra coincidência estava sob os cuidados de uma conhecida de um grupo de amigos que eu tangenciava na época do orkut!!
O mundo, ele é esquisito.
Chegado o dia, um domingo, Lia saiu da casa dos pais no fim da tarde para fazer o contrabando de gatinha (
que estava sendo chamada de Flora
de um lado e Petit
de outro :P), foi no condomínio onde a gatinha estava abrigada e... "Flora" sumiu ¬¬' A gata não ficava na casa da moça, morava na mata que havia no local (haviam muitos gatos sem dono na regiao) e costumava aparecer na casa dela para comer.
Esperaram, esperaram e Lia teve de ir embora de mãos abanando. Foi até o terminal de ônibus e quando pisou nele, recebeu mensagem que a gatinha apareceu...¬¬''
Uber!
pro condominio!!
Gatinha pega e colocada na caixa de transporte!!!
Uber!
pro QGG!!
As contas, aquele dia, foram loucas.
Petit Gateau chegou na caixa de transporte. Pequena, assustada, cagada e, instantaneamente, amada. Foi limpa, alimentada e hospedada no quarto dos chinchilas.
Leona Leo é uma gata ciumenta. Deu problema em todos os lares temporários antes da gente. Quando foi levada para a casa dos pais de Lia, caçou (esse é o termo exato),
Luna, sua irmã.
A gente tinha medo de como ela reagiria com outra fêmea em casa. Mas até que foi tudo bem. Talvez
Raji tivesse amaciado ela, ela o respeitava e estavam sempre de boa. Talvez
Oreo,
nosso toelho, também tenha amaciado ela, os dois estavam sempre juntos.
Por um tempão (que sempre é pouco, repito), Lia, Leo, Raji e Oreo tomavam o café da tarde juntos ♥
Na verdade, muitas vezes a gente tinha certeza que Leo era modelo de comportamento pra Petit, ela imitava demais a nova irmã mais velha. E, como irmãs, tinham lá suas brigas e brincadeiras, disputa de território e hora do soninho compartilhado. Mas não muito perto, Leo sempre foi territorialista

Pra quem vinha do sossego do mato, nossa "pantera selvagem da mata profunda versão bonsai", se assustou demais no inicio. Por um tempão ela ficou atentassustada com cada barulho que vinha da rua. E moramos entre duas avenidas, cheias de buzinas, motores e xingos.
Uma vez, nestes primeiríssimos dias, ela tava escondida embaixo da Chichilalândia - a gaiola dos chins. Era noite e acendi a lâmpada.
Coisa que ela nunca tinha visto na vida: o mundo ficar claro de repente, de noite
Petit se desesperou e chacoalhou a gaiola em cima de tanto medo, rosnados e barulhos.

E mesmo com nossa aproximação lenta, ela tinha medo de humanos. O quarto dos chins era também o escritório de Lia, e Petit ficava perto dela, mas com regras. Às vezes se escondia sabe-se lá Deus onde em casa, por duas vezes tivemos de fazer operação de guerra para tirar ela debaixo da cama box - e, depois, tomamos medidas para ela não entrar lá de novo.

Várias vezes a procuramos na bagunça da sala, e em algumas dessas ocasiões Leo dedurou pra gente onde a irmãzinha estava =p

Teve a vez em que, logo no 2o dia dela aqui, tive de pega-la nem lembro o motivo. Mas cometi o erro de fazer isso com pressa e ela
destruiu meu dedão esquerdo: a mordida furou a polpa do dedo e, do outro lado, quebrou a unha. Só no fim daquele ano voltou ao normal.
"
Ela é linda, ela é fofa, mas isso não é adoção de uma gata, é domesticação de uma mini-pantera selvagem", escrevi alguns dias depois. Por um tempão chamei Petit de "
Dona Fu" porque ela vivia fazendo ameaçadores (na opinião dela)
fuuuuu pra mim.
Coom o tempo Petit virou Petisco, Peti Gatinha e outros nomes
Mas quem estava sofrendo mais eram os
chinchilas: por vinte dias Faq, Himi, Fiona e Funko não puderam sair da gaiola, com Petit entocada naquele quarto. Aí nos cansamos e tiramos ela de lá, soltamos os chins porque eles mereciam se divertir. No dia seguinte, ela insistiu em voltar pro quarto.
Então, apresentei pra ela o
roomba ò_ó.
Devia ter filmado, a cara que Petisco fez ao fugir do aspirador foi impagável =p
E trancamos de vez a porta daquele quarto (por um tempo). Só faltava convencê-la a ficar conosco.

Toda noite era uma guerra para tira-la de algum esconderijo novo e chegou uma noite fria demais para uma gata que nem tinha um ano de vida ficar sozinha. Pior, a encontramos atrás da maquina de lavar-louças, encostada na janela gelada. Lia se revoltou, pegou ela. Trancamos o acesso até a sala e colocamos a ferinha na cama. A força ò_ó
Naquela noite fria pra caramba, Petit descobriu que cama e coberta eram bons. A melhor invenção que a civilização podia trazer para ela.

Na noite seguinte repetimos a dose, e começamos a nos arrepender por que a gatinha achou um brinquedo em baixo de algum móvel e ficou barulhando com ele pelo corredor a noite inteira.
Na terceira ou na quarta noite liberamos o acesso pra sala, em nome da integridade do nosso sono. Mas neste ponto, já tínhamos estragado em definitivo a pantera bonsai: Petit viu que a cama também era território dela, e esse foi o ponto de virada no relacionamento.

A partir daqui, começamos a perceber aproximações e carinho dela por nós, cada dia era uma vitória diferente para comemorar e partilhar em nossas conversas.

Até porque, percebemos que nos sete meses antes de vir para a gente, ela devia ter tido uma vida difícil. Não temos ideia do que aconteceu com a mãe e com quantos meses foi desmamada, mas o medo dela de tudo não era apenas caipirice ou de ter hábitos
ferais. Por muito tempo, quando dávamos ração para ela, ela ficava sempre olhando para todos os lados, com medo de receber um ataque. E era assim ao beber água ou ir pra caixa de areia.
(
No comecinho, ela fazia tudo isso escondido de todos)
Qualquer visita em casa era motivo para ela se enfiar debaixo das cobertas, de medo. Na verdade, quando
EU chegava em casa, ela sumia nos cobertores e demorou para Petit se sentir segura comigo por perto e nem ligar mais.
Como disse, cada dia era uma vitória.
Comigo a aproximação foi bem devagar, já que não estou em casa de tarde. Aos poucos ela deixou de sumir com minha aparição e aos poucos se deixava ser pega, mas não muito, nem sempre. No começo eram
fuuuuuuu - era engraçado, porque a soltava, se afastava, olhava pra mim indignada, fazia o barulho e me ameaçava bater com a pata. Nos últimos meses, só o
fuuuuuuu não acontecia mais -, dependendo da situação ainda corria pra longe. Muitas vezes ensaiava brincar com minha mão, mas logo mudava de idéia.
E, nestas últimas semanas, ouvi o motorzinho dela e a noite ela chegava em mim, quando estava no computador, colocava as garras na minha coxa. Não sei se é o que ela queria, mas era o que ganhava todas as noites: colo, cafuné, aperto e logo deixava ela sair. Rolou até algumas fotos nesses momentos gostosos.
Com Lia, sempre em casa, o sucesso foi maior. Desde o começo Petit ficava perto dela, mesmo na fase entocada no quarto dos chins - afinal, dona namorada trabalha lá. Só ouço relatos, de que Petisco às vezes juntava as patas da frente para segurar a mão dela e ficar junta, de às vezes subir voluntariamente no colo e/ou dormir embaixo das pernas dela, embaixo das cobertas ♥
Vitória pouca é bobagem =)
E, devagar Petit foi perdendo o visual de O.O arregalados.
Nada mal para quem, nos primeiros dias, tínhamos de lidar com uma luva de cozinha com o
demônio-da-Tasmânia estampado :P

Às vezes perguntava pra dona namor
alien se ela imaginava que "Petit Gato" ia ser que nem a Petit era. Aquele estranhamento entre a idéia e a materialização.
E o que era ela, além de linda?
• Uma gatinha pequena, nisso ela fez jus ao "
Petit", mas de pernas compridonas. Às vezes deitava com elas cruzadas.

• Que não sabia miar. Era uma coisa rouca, esquisita, certeza que várias vezes nos dizia "
por acaso sou uma piada para vocês?"
• Criança, amava brinquedos. Teve uma temporada de bolinhas, teve a temporada que ela atacava os dedos do meu pé de madrugada. Sempre corríamos o risco de algum objeto pequeno deixado em cima das mesas ser derrubado e passear pela casa toda a madrugada...
• Seu único defeito era não ver os chinchilas como amigos, mas como comida ou ao menos como entretenimento. Léo também, mas Petit era muito mais caçadora.
Quando a gente soltava os roedores, ela ficava na expectativa junto da porta.
Petit e Fiona, num evento bastante controlado
• Ela matou uma aranha residente no quarto dos chinchilas. E inúmeros bichinhos que tiveram o azar de cruzar o seu caminho. Ao menos aqui em casa, gatinha preta dava azar para artrópodes em geral.
• Medrosa, nunca ousou sair de casa, mesmo com a porta abertíssima.

• Vivia pedindo para Lia abrir a janela do quarto para ficar olhando o mundo lá fora. Várias vezes.

• Odiava ser pega, mas "derretia" no colo da gente: ficava lá até ser solta, sem reclamar. E, na primeira oportunidade, saia correndo.
• Dependendo do humor, dava banho em todo mundo, até o
tubarão ela banhou.
• Ela não era uma gata 100% preta, mas 99,99% preta: além de ter listras (em tons de infravermelho e ultravioleta), a Petisco tinha duas manchinhas na barriga, simétricas, praticamente uma tribal.
(
Colega acha que essas manchinhas, "imperfeição",
pode ter impedido ela de ter sido morta por gente ruim =_=)

• Paciente exemplar, nunca fez escândalo no veterinário (só para ser pega e posta no transporte, em casa) tomava vacinas e media temperatura sem se importar.
• Numa das primeiras consultas na vet achou que ela estivesse grávida - namorada fez uma cara engraçada quando recebeu a notícia :P
o dia que nossa pantera de estimação descobriu que era uma gata "kinder ovo"
...mas no fim se revelou alarme falso.
(Se existisse, ia se chamar "
Kinder" :P)
(
Mas que eu estava chamando a Léo de "tia Léo"
aqueles dias, ah, eu tava =p)
• Petit amava ver televisão ou acompanhar o que acontecia na tela dos computadores.

• Lembra da história da "
gatinha da Etiópia"? Ela foi a própria, não pela cor, mas por estar sempre morrendo de fome, do jeito que as mães dos anos 80 falavam. Petit tinha uma draga dentro daquela barriguinha e sempre estava a postos debaixo da mesa na hora da janta =)
"Não fui eu quem derrubei não"
• Ela escapou de ser fantasiada de coca-cola que nem o Oreo foi :P
Banguela (o dublê para cenas perigosas), Petisco (nossa estrelinha) e Petit Petit (a intérprete para cenas da infância)
Halloween
Não percebendo o perigo chegar por detrás dela :P
recarregando as baterias
18/05 - um ano com a gente♥
Nas duas acima, enfrentando o calor

Essa foto postei na rede social da firma com o seguinte texto:
"
Petit Gateau saiu do mato, onde vivia uma vida difícil, a comida era disputada e migrou pra cidade grande. Aqui, ela batalhou muito, empreendeu, investiu os parcos ganhos e agora é dona de um rico patrimônio.
(o que ela conta pra ninguém - como muito coach - , é que todas as suas contas são pagas pela família)
(na verdade, graças a Deus, ela nem sabe abrir a caixa de churu)"
"Petit pilotando o colchão do quarto com o braço para fora passa por vocês agora."

Por fim, me lembrei de um desquerido, nos primórdios do blog, que ironizou que eu postava muitas fotos dos meus bichos aqui.
Sabe, demorei pra entender que gente assim você não deve perder tempo e bloquear.
foto fofa pra limpar o ambiente mental